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por Rafael Garcia

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O altruísmo egoísta

Por Rafael Garcia
14/08/12 09:15

Chimpanzés contemplam sua existência no refúgio de macacos Chimp Haven, na Louisiana (Foto: Mike Souza/CC)

UM DOS GRANDES ENIGMAS no estudo da evolução humana é a tendência que temos de nos indignar com abuso de poder. Por que consideramos correto ajudar os indefesos que sofrem assédio e extorsão por parte dos mais fortes? Por que às vezes alternamos nosso instinto egoísta de sobrevivência por essa índole altruísta? Essa discussão, que ainda está longe de ter consenso entre biólogos e antropólogos, acaba de ganhar uma teoria matemática mostrando como o altruísmo pode surgir de puro egoísmo.

Se a seleção natural beneficia os indivíduos que obtém mais recursos para sobreviver, alimentar-se, reproduzir-se, etc, por que alguns arriscam sua pele para proteger outros mesmo quando não obtém benefício direto? Por que não se concentram apenas em atuar em benefício próprio?

A evolução dá aos seres vivos, claro, incentivos para defender seus descendentes e até mesmo parentes mais distantes. Isso significa, em resumo, garantir a propagação de seus próprios genes –”genes egoístas”, nas palavras do biólogo Richard Dawkins. Mas por que um ser ajudaria um estranho só por sentir pena? Por que, em última instância, desenvolvemos o sentimento de pena?

Em 1962, o zoólogo inglês V.C. Wynne-Edwards propôs a ideia de que a unidade submetida à evolução seria o grupo, e não o indivíduo, criando o conceito de “seleção de grupo”. Essa teoria permitiria explicar a emergência do altruísmo, pois um grupo que coopera entre si seria mais apto a sobreviver do que um grupo sem sinergia. Essa ideia, porém, acabou saindo de moda na década de 1980 após ser atacada por Dawkins e outros biólogos.

O principal defeito da “seleção de grupo” é que ela não explica como os indivíduos que investem esforço em nome do altruísmo se tornam mais propensos a deixar descendentes. Mesmo que o grupo sobreviva para superar outros grupos –para “evoluir” enquanto grupo–, a tendência inata a ajudar o próximo não seria passada à frente, pois o indivíduo que se arriscou para ajudar o grupo não obteve vantagem pessoal com isso.

Uma teoria interessante desenvolvida agora pelo biomatemático Sergey Gavrilets, da Universidade do Tennessee em Knoxville, sugere como contornar esse problema. Em um estudo na edição de hoje da revista “PNAS”, ele mostra como um indivíduo pode obter benefícios pessoais ao evitar que alguém poderoso tome recursos de um fraco (por “recursos”, entende-se principalmente alimento e fêmeas).

Se o indivíduo mais apto à sobrevivência é o que detém mais recursos em comparação a outros, aquele que vai em auxílio dos menos aptos contribui para que a distribuição de recursos no resto de seu grupo seja mais homogênea. Isso diminui a probabilidade de que esse outro indivíduo tirânico o ultrapasse na competição por recursos.

A ideia é relativamente simples, mas esse tipo de interação tem um bocado de complexidade quando se leva em conta o tipo de reação e a evolução de comportamento dos déspotas. Gavrilets, porém, conseguiu desenvolver um modelo matemático completo para explicar como a “síndrome igualitária” –a porpensão de um indivíduo a ajudar um outro contra abuso dos poderosos– evolui. Seu estudo indica que essa tendência  se fortalece com o tempo de evolução, e ainda pode ser “turbinada” por práticas culturais.

Esse fenômeno, porém, só ocorre sob algumas condições. “O efeito é mais forte dentro de grupos pequenos e que tenham hierarquias pre-existentes mais rígidas”, escreve o cientista. “Quanto mais confiável é a avaliação da força [alheia], mais provável é o comportamento de ajuda.”

O contexto social em que a síndrome igualitária pode ter evoluído é bastante similar àquele em que vivem alguns tipos de macaco, diz Gavrilets. Possivelmente os ancestrais humanos que começaram a moldar nosso comportamento milhões de anos atrás também eram grupos pequenos com hierarquias rígidas. O tipo humano de altruísmo já foi observado em chimpanzés, nosso primos-primatas mais próximos, e é plausível que uma inteligência maior contribua para fortalecer o efeito da síndrome igualitária.

O que chama à atenção no estudo de Gavrilets é que, se sobreviver ao debate científico no futuro, sua implicação deve ir além do conhecimento sobre a evolução em si. A síndrome igualitária, afinal, é apenas um nome técnico para explicar alguns valores cristãos que fazem parte de nossa percepção inata de justiça. Essa perspectiva humanista não depende de religião, claro, mas a biologia ainda não sabe explicar de maneira completa a origem dos nossos valores morais.

“Identificar a dinâmica dos instintos sociais igualitários controlados pela genética e suas raízes evolutivas é um passo necessário para compreendermos melhor a origem do senso de certo e errado que é único aos humanos”, afirma Gavrilets.

About Rafael Garcia

Rafael Garcia, 37, é colaborador da Folha em Washington (EUA). Formado em jornalismo pela USP (Universidade de São Paulo), foi bolsista do programa Knight de jornalismo científico no MIT (Massachusetts Institute of Technology) e editor-assistente na redação brasileira da revista “Scientific American”.
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23 comentários feitos no blog

  1. Eduardo Vasconcellos comentou em 14/08/12 at 11:58 am Responder

    As perguntas ao autor da tese seriam:
    E em sociedades onde não há o papel de tiranos, como por exemplo no caso das sociedades índigenas?
    Outra seria relativo à esta falta do que se diz ser o “normal” a perpetuação do genes. Há muitas pessoas que conscientemente não querem perpetuar seus genes, logo tal teoria perderia total sentido.

    • Renan Aspira comentou em 14/08/12 at 2:18 pm Responder

      A hipótese é totalmente de âmbito biológico. Para aplica-la ao ser humano precisaria de algo mais antropológico do que “biomatématica”. Esse é um problema comum em trabalhos científicos uni-disciplinares.

    • Denis Damazio comentou em 14/08/12 at 8:15 pm Responder

      Também não sei se uma sociedade indígena pode ser considerada “sem tiranos”. Existe uma hierarquia, representada pelo cacique, ou pelo xamã (espero ter escrito isso certo!). Aliás, aí está um possível reforço de idéias de crença. Pode ser interessante investigar!

  2. Gabi comentou em 14/08/12 at 5:33 pm Responder

    Não entendi… há frases pela metade, orações sem sujeito…

    • Rafael Garcia comentou em 14/08/12 at 6:57 pm Responder

      Gabi,

      Obrigado pela leitura atenta. Corrigi dois errinhos que encontrei no texto. Se você achar mais um, não hesite em falar.

      Abraços,
      Rafael

      • ana comentou em 20/08/12 at 10:26 pm Responder

        Hesitar ou exitar?
        Hesitar é a forma correta quando o verbo significa: demonstrar dúvida; não estar ou não se mostrar seguro; duvidar; vacilar; gaguejar; titubear. Já exitar é o mesmo que ter bom êxito, bom sucesso, resultado satisfatório. Hesitar e exitar têm significados bem diferentes. Lembre-se disso para não hesitar ao escrevê-los

        • Rafael Garcia comentou em 20/08/12 at 11:03 pm Responder

          Agora você me deixou desconcertado (com “c”). :-S

  3. Denis Damazio comentou em 14/08/12 at 8:11 pm Responder

    Fala Rafael. Belo trabalho na tua descrição do tópico, entretanto, eu creio que essa matemática já tinha sido bem estabelecida por Hamilton, em particular no caso dos insetos. Dadas as incríveis características genéticas desses animais – similaridades dentro dos ninhos, eles são uma “bancada de testes” perfeita para muitos dos estudos desenvolvidos por Hamilton e muito bem “propagandados” por Dawkins no Gene Egoísta. Tem também um capitulo no livro inteiramente dedicado ao uso da teoria dos jogos e definição de estratégias estáveis de comportamento que complementam. Talvez a prova matemática (convergência normalmente é o problema) não seja completa de Hamilton, mas em geral Hamilton não exige kinship ou maior proximidade como esse novo resultado (não sou especialista!). Também recomendo a leitura (pesada) dos primeiros capítulos do Extended Phenotype!
    A conclusão é simples : somos brinquedos genéticos elaborados por milênios de evolução até o nosso comportamento ou, pelo menos, nossas tendências!!!
    Um grande abraço!
    Denis

    • Rafael Garcia comentou em 15/08/12 at 1:29 am Responder

      Oi, Denis,

      Acho que você tem razão, em parte. Acho que o W.D. Hamilton já tinha estabelecido um modelo independente de parentesco. Eu não mencionei no meu texto, mas esse paper do Gavrilets traz um modelo que também elimina a necessidade de mecanismos de punição e reciprocidade para o sistema funcionar. Também não conheço a obra do Hamilton, mas pelo que eu entendi desse paper novo, os modelos anteriores ainda eram muito dependentes de reciprocidade e punição, o que complicava um pouco a coisa. O que o Gavrilets propõe é uma lógica que dispensa qualquer necessidade de interação futura direta entre as partes para que o indivíduo que socorre o mais fraco se beneficie. A minha impressão é que esses mecanismos não são mutuamente excludentes.

      Com tudo o que você sabe sobre física de partículas e eletrônica, onde você arranja tempo para ler tanto sobre biologia!?

      Abraços,
      Rafael

      PS. Boa sorte aí com seus íons pesados. Li o material de imprensa que o pessoal do Cern trouxe aqui para Washington e vi que o Atlas produziu um monte de coisa.

      • Denis Damazio comentou em 15/08/12 at 5:07 pm Responder

        Oi Rafael,

        Pois é.. Desde que me caiu na mão o God Delusion e que eu pude ver no youtube todos os videos do Dawkins (em particular a aula de biologia que ele dá no Faraday Lecture – Growing Up in the Universe) vi que a biologia sofre das mesmas penas que a física : vencer a ilusão de importância que parece inerente a raça humana. Acabei me apaixonando pelo assunto e já li pelo menos quatro livros do Dawkins, 1 do Hitchens e continuo tentando ler mais.
        Dado o problema da biologia mexer diretamente com as origens do fator humano, ficou claro pra mim porque a aquela sofre ainda mais do que a física. As consequências dessa repressão também se manifestam em múltiplos campos da psicologia e isso é ainda mais interessante. Queria ter tempo e condições de estudar ainda mais. Como não tenho, visito seus bons artigos na matéria quando posso!!! ;-)
        Um grande abraço,
        Denis
        PS: Respondo o teu PS com outro. Não sei muito sobre Heavy Ions pelo mesmo motivo que nunca aprendi muito sobre dinâmica dos fluídos : lidar com viscosidade é muito complicado!!!!

  4. Luiz comentou em 15/08/12 at 3:05 pm Responder

    “Sindrome Igualitária”. Grotesco. Quando o relativismo moral dominar tudo, quero ver os cientistas terem espaço para “pesquisas”. A não ser nos moldes preconizados por Heinrich Himmler.

  5. Cícero comentou em 17/08/12 at 8:37 am Responder

    e é plausível que uma inteligência maior contribua para fortalecer o efeito da síndrome igualitária.

    Essa inteligência maior, seria o que denominamos – Deus? Concordo! inteligência ultrapassa meras reações químico/físicas.

    mas a biologia ainda não sabe explicar de maneira completa a origem dos nossos valores morais.

    Exato, pois ela se limita ao material, físico e morfologia. Mas valores morais entram no campo metafísico transcendente. Se há valores morais, isso implica um Autor Moral.

    • Gerson Araujo comentou em 18/08/12 at 12:40 pm Responder

      Desde o século 18 há uma tendência de “naturalizar” os fenômenos sejam eles relativos a a intrincada complexidade da natureza do cosmo, humana, incluindo aí os valores humanos. Os nossos valores então seriam resultado da nossa natureza física ou mais precisamente “biológica”. A metafísica destituída do seu status de “verdade absoluta, quase matemática”, foi relegada ao nível da prática (Kant), isto é, tornou-se relativa. Existiria um Autor Moral (Deus) vinculado evidentemente a uma pretensa Teologia Natural? Meu caro somos apenas uma continuidade do mundo natural e os nossos primos (primatas), e nossos ancestrais são fonte e origem do nosso comportamento e da nossa moralidade altruísta-egoísta.

    • felipe comentou em 27/08/12 at 12:49 pm Responder

      Não há por que dizer que nossos valores são obras divinas, eles são extremamente variáveis de cultura para cultura, de época para época, e até de espécie para espécie, eles evoluem.
      Inclusive nossa espécie surgiu espontaneamente e inconscientemente, há uns 100 000 anos atrás, o que me traz uma dúvida muito boa: quando surgiu nosso cérebro diferenciado, capaz de refletir, O Criador, que havia criado o universo 14 400 000 000 anos antes deciciu agir sobre nós? O que ele fazia antes? Por que não nos criou logo no começo?
      Os valores evoluem conforme a sociedade se modifica, o que é muito bom (imagine se mantivéssemos valores medievais, socialistas, nazistas, etc.). E não se nota nenhuma consciência agindo sobre eles (mas se você notar, por favor escreva um livro e acabe logo com os incessáveis debates e discussões), o que me leva e pensar, ora a ciência não nos oferece respostas a todas as nossas perguntas (mas nesse caso eu acho que ela o faz muito bem), e é aí que vem o mais importante, lidar com as dúvidas: conviver com elas e tentar desvendá-las por meio de evidências, argumentos e razão ou buscar um conforto vazio na suposta existência de deus? Fico com a primeira…
      PS: Por que UM Autor Moral?? Por que nao 2? ou mais? Por que nao há um autor do autor, se nós temos que ter um?

    • Alfredo comentou em 03/09/12 at 9:54 pm Responder

      Inteligência precisa de uma mente e de um cérebro, precisa de quimica e matéria, mas só isso? Não, precisa que funcione bem, uma pessoa com Alzheimer que perdeu a consciência de si mesmo foi porque aconteceu algum desequilíbrio. Desde Darwin se sabe que os animais próximos à nós na escala evolutiva têm as mesmas referências morais que nós, comprovados por várias décadas de investigação. Quer que eu passe os links do material científico? É so pedir.

      • Cícero comentou em 05/09/12 at 11:09 am Responder

        Alfredo,
        Há uma gritante diferença entre nós e primatas nos atributos:
        moral, consciência, inteligência, cognição, transcendência.

        Qualidades essas que jamais iriam surgir da aleatoriedade às cegas de meras partículas.

        • Alfredo comentou em 06/09/12 at 12:31 pm Responder

          Jane Godall, a maior especialista de comportamento de chimpanzés pelas décadas de anos de estudo in loco “nas costas”, comprovou que os chimpanzés têm personalidade, têm a mesma moral que a nossa, e diz mais, que a única diferença entre nós e eles é que nós sabemos construir equipamentos mais especializados que eles. As descobertas mudaram, inclusive, o código de ética de pesquisas científicas com chimpanzés, “humanizando-as”.

          Você é um cara de sorte, está vivendo no tempo que o conhecimento científico mostra a realidade e tem alguém para mostrar a você, de forma bem mastigadinha. Acesse o pvideo abaixo, defina as legendas em português no botão correspondente, logo abaixo da tela da imagem de video. A coisa começa a esquentar lá pelos 3 min de vídeo.

          http://www.ted.com/talks/jane_goodall_on_what_separates_us_from_the_apes.html

          Antes dela Darwin já tinha feito uma pesquisa semelhante (antes de viajar pelo mundo) que gerou um livro mostrando que os chimpanzés e gorilas tinham as mesmas expressões faciais e corporais para os mesmos significados morais e emocionais que damos… logo…

          http://pt.wikipedia.org/wiki/The_Expression_of_the_Emotions_in_Man_and_Animals

          Mais recentemente, também no TED, Franz de Waal aborda o assunto e comprova mais uma vez que a moralidade dos animais próximos a nós é a mesma que a nossa.

          http://www.ted.com/talks/lang/pt-br/frans_de_waal_do_animals_have_morals.html

          Experimentos com outros animais mostram que têm certos níveis de inteligência, pombos e certas espécies de pássaros provaram isso, Skinner usou os pombos com sucesso.

          O “seu Criador” não foi muito criativo, concorda? Ou será que a evolução (e a adaptação para sobrevivência) comprova-se e se explica, como sempre?

          • Cícero comentou em 06/09/12 at 11:56 pm

            Caro Alfredo,

            vi uma boa parte dos vídeos, e obviamente isso apenas confirma outros estudos que primatas possuem certas qualidades “parecidas” conosco; inclusive qualidades nobres como o altruísmo; que também vemos em muitos outros seres.

            Mas no vídeo da Goodall ela não mencionou que tipo de “complexidade” a macaca usava no micro. Certamente eram repetições de algo já ensinado.
            Duvido que ela fizesse uma simples pesquisa no google …ou abrisse links e janelas em busca de algo mais específico.
            E o fato de macacos usarem ferramentas (galhos) não é exclusivo deles: certos pássaros, focas, castores também usam ferramentas.

            As expressões de raiva são parecidas ao homem em outros seres também como: cães, felinos, ursos (abrindo a boca e mostrando os dentes).

            Até De Waal em entrevista a Veja reconhece:
            Há diferenças, é óbvio, entre o homem e seus parentes.”
            “Embora acreditemos que nossas democracias são sofisticadas o suficiente para resolver as diferenças no campo dos argumentos, o instinto primata volta e meia nos trai.”

            Na verdade, há um abismo de diferenças entre homens e primatas: físico, intelectual, espiritual, moral(comparativa). Ademais, homens fazem carros, micros, foguetes, música, artes, engenharias, fritam ovos, bolos tem práticas sociais, religiosas, culturais, reflexivas, consciência etc…, mas primatas não.
            1000 macacos digitando por milhões de anos nunca produzirão “Hamlet”, nem mesmo um gibi.
            Não podemos convidá-los pra debater e palestrar ou rezar e nem pedir que leiam textos e assinar, ou tocarem piano e violão.

            Outra diferença é o andar bípede ereto; exclusivo nos humanos.

            Os animais ainda agem por instintos naturais de preservação, proteção, reprodução, não tem senso moral complexo como o nosso. Nós podemos decidir o que fazer e o que não fazer, inclusive contra essa moral. Podemos ser frios e sem emoções, ou nos suicidar, ou agir de forma tão altruísta, benigna, amorosa acima da normalidade, enfim somos imprevisíveis, porque temos uma vontade 100% livre da moral que adotamos, e dos instintos naturais se quisermos. Já os animais não …pois ainda são naturais e irracionais lembra-se?!

            Somos especiais justamente por sermos racionais, com um intelecto e cognição não simplesmente naturais, mas ultrapassando essa barreira atingindo o nível transcendental ou espiritual digamos …com domínio sobre os outros seres, que não chegam nem aos nossos pés, nesses itens.
            Este último ítem, certamente deve-se a um Ser Pessoal Sobrenatural, senão, nossos “irmãos” primatas também teriam tal qualidade especial.

            Abçs.

  6. Cícero comentou em 19/08/12 at 5:35 pm Responder

    Colega,
    Nossa natureza física/biológica natural não poderia ser a origem de nossa moral e altruísmo, pelas regras selvagem da seleção natural privilegiando os mais aptos e fortes na sobrevivência.

    Até o biólogo evolucionista Ernst Mayr declara: “altruísmo em relação a estranhos é um comportamento não suportado pela seleção natural” (What Evolution Is).
    Se tudo fosse meras reações químicas/biológicas, por que nossa consciência nos acusa quando fazemos o mal e satisfação quando fazemos o bem?

    Também não é lógico e racional que uma explosão amoral, impessoal, material ter dado origem a seres morais, pessoais e inteligentes.

    Não acho muito “relativa” uma das citações do famoso filósofo agnóstico Immanuel Kant:
    “Do mesmo modo que um rosto é belo porque descobre uma alma, assim também o mundo é lindo, visto que através dele podemos ver Deus”

  7. Pablo comentou em 20/08/12 at 2:28 pm Responder

    Uma pergunta: por que o altruísmo é considrado cultural (ou seja, algo não objetivo, uma ficção, pelo que se depreende) e o egoísmo não? A noção de egoísmo não varia de cultura para cultura? Podemos dizer categoricamente que tal animal está sendo egoísta? Ou pior, como se pode imputar egoismo a um gene?
    Acho que estão se confundindo aí domínios de existência. O altruísmo e o egoísmo se definem um relação ao outro, nos sistemas sociais, na cultura, ou na mente das pessoas, de formas diferentes.

    • Alfredo comentou em 20/08/12 at 11:41 pm Responder

      As emoções e sentimentos humanos, no ato de sentir, são iguais em qualquer lugar, não dependem da cultura nem das relações.

      O que muda em cada lugar é “o que eu faço com isso? É errado, é certo, é normal, posso amar duas pessoas ao mesmo tempo?, etc..”

      Também há etiquetas diferentes, o ato de demonstrar que se ama alguém pode ser tão diferente como uma piscada ou colocar um pano na janela ou se mostrar sério e levar uma cabra para jantar com o futuro sogro, mas o sentimento do amor é o mesmo.

  8. Ivã Silva comentou em 04/09/12 at 11:44 am Responder

    “[...]O meu egoímo é tão egoísta que o auge do meu egoismo é querer ajudar”. (Trecho da Música “Carpinteiro do Universo”, Raul Seixas e Marcelo Nova. Me parece que o artista intui essas coisas sem tanta teoria. Ócio criativo? Ou melhor, seu neg-ócio sentir o que sabe e saber o que sente?

    • Rafael Garcia comentou em 04/09/12 at 1:28 pm Responder

      Ivã, obrigado por lembrar disso. A letra dessa canção é realmente uma coisa iluminada. Toca Raul!

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